Moradia Unifamiliar – Maria João B.C. Lima Mayer

Ficha Técnica

Licenciamento -Arranjos Exteriores
Local: Bucelas - Loures
Ano: 2006
Área: 670 m²


O lote em questão encontra-se inserido numa paisagem de elevada qualidade estética e ambiental englobando simultaneamente grande valor ecológico e cénico.

Dada a localização privilegiada da área de intervenção, inserida numa mancha rural, onde a tipologia dominante corresponde a antigas quintas agrícolas cercadas por uma vasta paisagem natural, pretendeu-se que a nova moradia se integrasse de forma harmoniosa no espaço envolvente, valorizando-se assim, não só as ambiências no interior do terreno como também as relações biunívocas com o exterior.

O local de inserção do projecto apresentou-se assim como uma mais-valia na definição das diferentes estratégias decorrentes do desenvolvimento do Projecto de Arranjos Exteriores. A importância da envolvente reflectiu-se na concepção dos espaços verdes, influenciando a escolha das espécies arbóreas e arbustivas assim como a sua estratégia de plantação.

Procurou-se deste modo promover a continuidade da estrutura verde da paisagem, quer ao nível do estrato arbóreo/arbustivo, quer ao nível estético e paisagístico de toda a proposta em geral, através das seguintes linhas estratégicas de intervenção:
- Recriação da orla da mata de acordo com o conceito de continum naturale, de modo a assegurar as condições necessárias ao correcto processamento das funções biológicas e ecológicas da paisagem;
- Recurso a soluções que procurem promover e recrear os valores naturais/agrícolas tradicionais;
- Criação de condições favoráveis ao conforto humano, através da introdução de mecanismos reguladores do microclima e da utilização correcta dos diferentes espaços de estadia e de enquadramento;

Preconizaram-se então sebes idênticas às sebes encontradas na paisagem natural envolvente, estabelecendo-se assim uma matriz unificadora, capaz de garantir o continum naturale. Recreou-se também, ainda que em pequena escala, o sistema agrícola do olival, propondo-se soluções de enquadramento típicas da paisagem mediterrânea, definidas de acordo com um conjunto de estratégias que permitiram contribuir eficazmente para os objectivos acima estipulados. Sendo igualmente proposta uma pequena área de horto, destinada a cultivares, também elas características da cultura mediterrânea. Nas zonas de carácter mais intimista optou-se pelo uso espécies ornamentais recorrendo-se aqui a algum exotismo, sem contudo comprometer a estratégia de baixa manutenção e o conceito de paisagem rural. Foi também proposta a plantação de alguns ciprestes, colocados pontualmente na envolvente do edificado, enquadrando-o, criando pontos de vista estratégicos que contribuíssem para a organização e legibilidade do conjunto.

O extracto herbáceo ficou dominado por um prado natural, pouco exigente em termos manutenção e de consumo de água.

Também a escolha das soluções ao nível das zonas pavimentadas foi feita com base numa linguagem tradicional, optando-se por materiais típicos da arquitectura portuguesa como a pedra calcária.

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